ABRIU O CORAÇÃO

Repórter da Globo revela medo de se assumir gay: ‘Será que vão aceitar bem?’

Bruno Pinto

Pedro Figueiredo é um dos jornalistas que vem ganhando grande destaque na Rede Globo. O repórter, que já chegou a ser ameaçado após revoltar uma série de fanáticos políticos em decorrência de uma denúncia feita contra o vereador Gabriel Monteiro, revelou que, mesmo tendo que enfrentar algumas situações complicadas por conta de seu trabalho, foi sua vida íntima que acabou gerando um grande medo em meio a sua ascensão profissional.

Isso porque, Pedro, que hoje é assumidamente gay e casado com o também jornalista Erick Rianelli, revelou que, na época, teve receio de abordar o assunto, que era restrito a um pequeno grupo de pessoas muito próximas: “Eu comecei a namorar o Erick há nove anos, em 2013. Ele ainda não tinha entrado na Globo, eu já. Todos sabiam que éramos namorados. Mas nossa vida era restrita ao nosso círculo de amigos e às nossas redes sociais fechadas”, disse em entrevista ao portal NaTelinha.

O repórter da Globo Rio disse que seu marido foi essencial para que tomasse coragem de mostrar o seu verdadeiro eu: “Em 2016, fui promovido de produtor a repórter. Naquele momento, entendi que era importante abrir minhas redes. Mas tive receio em contar para o mundo que eu era gay. ‘Será que vão aceitar bem?’, pensava… Uma pessoa muito importante nesse processo foi o Erick. Ele me disse que eu precisava ser quem eu sou e que isso nunca seria uma questão. Não foi”.

Na sequência, Figueiredo ressaltou sua felicidade por ter se tornado referência em diversos aspectos: “Tenho muito orgulho em ser gay e jornalista. E somos muito acolhidos por isso, mesmo entre pessoas mais conservadoras. Não era nosso objetivo, mas ficamos felizes de tanta gente nos ter como referências… Acho que contribuí para o debate. Eu só consegui virar para mundo e falar “olha, sou jornalista da Globo e sou gay, tenho namorado” porque vários colegas gays, que muitas vezes não revelaram seus afetos, abriram espaço para nós na redação, na sociedade”.

O jornalista falou também sobre preconceito e disse acreditar que nem sempre é com o objetivo de ofender: “Eu acredito muito que o preconceito é fruto da desinformação. Tento, sempre que possível, tratar o preconceito com informação. Eu tenho uma visão extremamente pragmática de situações assim. Separo o preconceito em dois tipos: com e sem intenção. Claro que todos os tipos de preconceito devem ser combatidos. Mas muita gente faz comentários LGBTfóbicos sem perceber que o que está falando é preconceituoso”.

“Agora, tem um outro grupo que quer machucar, constranger. Para essas pessoas, não há diálogo. Acho que, sem dúvidas, o sermão do padre do interior do Mato Grosso foi muito pesado emocionalmente para mim. Assim como ameaças e xingamentos que recebi de seguidores do vereador Gabriel Monteiro, depois que fizemos reportagens denunciando o que acontecia no gabinete dele. É difícil não se abalar”, concluiu Pedro Figueiredo.