ABRIU O CORAÇÃO

Renata Silveira relata casos de machismo e faz desabafo

Bruno Pinto

Renata Silveira vem ganhando cada vez mais espaço num setor que, até pouco tempo, era composto apenas por homens. Sucesso nas transmissões do futebol da Rede Globo, a narradora abriu o coração ao revelar o quanto sofreu, principalmente no início de sua carreira, com o machismo. Em entrevista à revista 29 Horas, Renata também fez um desabafo ao falar na demora na inserção da mulher em determinados campos de atuação, como no futebol.

A contratada da emissora dos Marinho destacou algumas informações históricas para embasar seu pensamento: “Enquanto público, nós não estamos preparados para assistir, ouvir, admirar e consumir conteúdos produzidos por mulheres. Mas é claro que, quando falamos sobre futebol, a situação se agrava. Até meados de 1940, nós éramos proibidas de jogar, de assistir e até de comentar sobre o esporte. Desaceleraram nossos passos e, por isso, estamos chegando tão tardiamente”.

A narradora contou que, embora tenha sofrido muito para conquistar o posto que a pertence atualmente, ela abriu o jogo e disse que jamais se deixou abalar pelos inúmeros casos de discriminação, pois sempre teve convicção do que queria: “Nunca me intimidei [com o machismo]. Nada disso me impediu de acreditar que ali seria meu lugar. Em realidade, esse é um traço cultural que ultrapassa o esporte. Nossa sociedade foi estruturada sobre bases machistas”.

Por fim, Renata Silveira disse ter ciência do status que ganhou, mas lamentou que ela, tenho sido a primeira, depois de um longo tempo: “Eu me sinto honrada pelo título de ‘pioneira’, mas eu nunca quis que fosse assim. É triste pensar que demorou tanto para estarmos aqui. Meu mais sincero desejo era que eu fosse apenas mais uma entre tantas mulheres que já tivessem conseguido alcançar esse espaço. Mas, enquanto ainda engatinhamos, creio que seja um marco crucial para desestruturar estigmas e preconceitos no esporte”.