Reinaldo Gottino é um daqueles jornalistas conhecidos nacionalmente por comandar telejornais policiais. Entretanto, ao contrário do que muitos colegas de profissão, inclusive de sua própria emissora, fazem a frente de noticiários do gênero, o jornalista faz questão de ir na contramão e afirma não querer ser “mais um peso” para seus telespectadores, que já precisam lidar com uma verdadeira enxurrada de notícias nada animadores diariamente.

“Estou podendo fazer o que realmente acredito, sendo quem eu sou e sabendo da importância que tenho entrando na casa das pessoas. Elas já estão saturadas, com a saúde mental abalada. Não posso entrar ali e ser mais um peso na cabeça daquela pessoa. Então, tento amenizar um pouco, trazendo um pouco de tranquilidade, mesmo em meio a algumas notícias ruins”, iniciou o apresentador do “Balanço Geral SP” em entrevista ao portal Notícias da TV.

Sem papas na língua, o contratado da Record TV afirma que não faz parte do time de pessoas que usa seu tempo na televisão para fazer discursos de ódio: “Não sei o que vai acontecer no futuro, mas hoje estou muito feliz, muito satisfeito com o que estou fazendo na televisão, um papel muito importante. Um programa que tem um conteúdo policial, mas não sou o cara que vai pregar que bandido bom é bandido morto, meu discurso é outro, pagar o mal com o bem”.

O jornalista contou que, mesmo tendo aval para falar “poucas e boas” durante o telejornal diário, prefere dar um tratamento diferenciado às notícias, na tentativa de amenizar o grande peso e impacto que elas podem causar nos telespectadores, tendo em vista o momento complicado vivido pela população paulista: “Venho com outra mensagem, eles me dão liberdade para isso e não vou ficar apontando o dedo, gritando, xingando, falando um monte de coisa, se não é o que acredito”.

Por fim, Reinaldo Gottino falou sobre o livro “Você Pode Ser Grande, escrito por ele durante a Pandemia: “Não quero em nenhum momento que o título pareça algo arrogante. É uma frase que ouvi, e ela significa que você pode ser grande onde você está, no ambiente em que você vive… Sou um contador de histórias na televisão e fiquei muito feliz em poder contar a minha. É uma história simples, de um garoto da periferia que vivia em um ambiente onde as pessoas não tinham o hábito de fazer faculdade, mas ouvi essa frase uma vez, ela entrou na minha cabeça, fui estudar. Quero estimular isso nas pessoas, na garotada que está na periferia e, às vezes, não tem essa perspectiva e condições”.